As ações small caps (abreviação de small capitalization) são papéis de empresas de menor valor de mercado. Por serem ações de empresas de pequeno porte, as small caps podem ter potencial significativo de crescimento. Elas buscam taxas de valorização superiores às de grandes empresas, em um ritmo de crescimento maior que a média de mercado. Contudo, elas têm pontos negativos, como menor volume de informações a respeito das empresas e maior dificuldade para serem negociadas (pouca liquidez).
As cotações das small caps têm variado mais em relação ao Ibovespa (índice que repune as ações mais negociadas na Bovespa), por exemplo. Nos últimos 12 meses até março deste ano, as small caps acumulam rentabilidade de 14,9%, maior que a de mercados como renda fixa (11,95%), fundos de ações - referenciado DI (10,59%) e o principal índice da bolsa paulista, Ibovespa (2,54%), de acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).Em 2009, o índice SMLL, da Bovespa, acumulou rentabilidade de 137,5%, seguido de 22,7% em 2010 e de queda de 1,8% em 2011. Já o Ibovespa subiu 82,7% em 2009, 1,04% em 2010 e caiu 4,5% até agora neste ano, segundo dados da bolsa.A volatilidade das small caps pode assustar investidores iniciantes. Para Wagner Falaverry, sócio-diretor da corretora Geração Futuro, o maior risco desse tipo de investimento é que nem sempre as empresas envolvidas são líderes de seus mercados, e podem ter mais dificuldade de entregarem resultados aos investidores. "Não necessariamente a liquidez dessas ações é suficiente, as movimentações são mais lentas e às vezes ele (investidor) não consegue vendê-las porque não tem quem queira comprar", diz.Para o economista-chefe da corretora Souza Barros, Clodoir Vieira, as small caps são mais indicadas para investidores pacientes. "A ação da Lojas Americanas, por exemplo, teve valorização de cerca de 10.000% ao longo de dez anos. Se tivesse investido R$ 10 lá atrás, teria R$ 100 mil hoje", afirma.Segundo ele, essa aposta no potencial de crescimento de uma empresa deve vir acompanhada do monitoramento da expansão - no mínimo por um período de três anos, que de acordo com Clodoir é o que leva para uma reestruturação ou implantação de uma nova fábrica, por exemplo, começar a dar resultado.Se mesmo com esses obstáculos o investidor iniciante quiser experimentar, Falaverry sugere procurar um fundo investimento em small caps. Em um fundo, ao contrário de comprar e vender ações direto na bolsa, a responsabilidade de acompanhar o mercado e escolher uma carteira de ações cabe ao gestor, que tem mais conhecimento desse tipo de investimento. Fundos de investimento com base em ações desse tipo tiveram valorização de 18,37% em 2010, segundo dados da Anbima."Small caps é um negócio para quem conhece mais do mercado, admite mais risco e sabe identificar o que vai ajudar ou não na valorização de uma empresa", diz Wagner Falaverry. "Para o iniciante, o bom é comprar blue chips".As ações mais negociadas da bolsa dão retorno mais rápido e são mais fáceis de acompanhar. As informações sobre a empresa são abundantes e o comportamento da ação é analisado com frequência pelo mercado. Já as empresas menores exigem mais do investidor. "É preciso assistir a teleconferências, conversar com a empresa, ir atrás", afirma Falaverry.A Souza Barros, inclusive, possui um programa de relação com investidores em que traz empresas que possuem small caps para realizar reuniões com investidores, também transmitidas pela internet.Como identificarEntre as 55 ações small caps listadas no índice oficial de small caps estão Bicbanco (BICB4), Eztec (EZTC3), Grendene (GRND3) e Livraria Saraiva (SLED4), por exemplo. Todas elas têm pouca liquidez, ou seja, são ações mais difíceis de serem negociadas.Do valor total de mercado das empresas na bolsa paulista, 85% entra como capitalização de portes large e mid, e os outros 15% são enquadrados como small caps, segundo a controladora da bolsa paulista, BM&FBovespa.As ações large caps, também conhecidas como blue chips, são de empresas de grande valor de mercado e mais negociadas na bolsa de valores. Entre elas e small se encontram as de segunda linha, ou mid caps.O mercado utiliza outras formas de identificar uma ação como small cap, mais centrada na liquidez das ações do que no valor de mercado da empresa. "É difícil de caracterizar, até porque algumas ações já foram small caps e agora se destacaram demais, como Hering (HGTX3), Randon (RAPT4) e Weg (WEGE3), e hoje têm negociação significativa", afirma Falaverry.No dia 5 de maio, a BM&FBovespa divulgou a nova carteira de ações que constarão no índice de small caps de maio a agosto, que agora tem 73 ações, ante 55 papéis até abril.






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