São Paulo - A cobiça pelo mercado de consumo e por grandes projetos de infraestrutura no Brasil, cuja economia tende a ganhar tração reagindo a estímulos do governo, deve acelerar o mercado de fusões e aquisições envolvendo empresas do país no segundo semestre.
Grandes corporações com caixas polpudos, pressionadas por seus investidores a aplicá-los em ativos de alto crescimento potencial, e investidores de private equity com bilhões em caixa estão sedentos para fechar negócios, que foram adiados devido à crise externa e à frágil atividade doméstica recente.
"Todas essas incertezas dificultam a convergência entre ofertas de compra e de venda", disse o diretor do BBI, braço de banco de investimentos do Bradesco, Renato Ejnisman.
Mesmo com a volatilidade dos mercados, a compra e venda de participações em empresas do Brasil movimentou 44,7 bilhões de dólares, em 417 transações, no primeiro semestre, um aumento de 7,1 por cento ante o mesmo período de 2011, quando foram computados 364 negócios, segundo dados da Thomson Reuters.
Grande parte dessa expansão se deve à correria no final do mês passado para anunciar operações às vésperas da reforma no sistema brasileiro de defesa da concorrência, que passa a incluir a análise prévia de determinadas transações.
"O volume maior foi influenciado pela mudança no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica)", disse o co-responsável pela divisão de banco de investimentos do Bank of America Merrill Lynch no país, Roberto Barbuti.
Mas a visão é de que a economia diversificada do Brasil deve voltar a se sobressair entre os investidores sofisticados num cenário de maior estabilidade, disse o chefe de fusões e aquisições do Credit Suisse para Brasil, Fabio Mourão.
Enquanto eles esperam, quem está levando a melhor são os chamados investidores estratégicos, empresas de grande porte que estão menos preocupados com o 'timing' da operação, já que têm grande interesse em ganhos de sinergia de longo prazo.
"Por isso, o investidor estratégico está disposto a pagar mais do que um fundo de private equity", disse Mourão, prevendo que 2012 será mais ativo que o anterior em fusões no país.
Maiores expectativas se dão com setores ligados ao mercado de consumo, de saúde e cuidados pessoais, em meio à leitura de que a ascensão da classe média no Brasil cria oportunidades únicas para grandes empresas globais.
"E é justamente nesses setores onde as maiores companhias globais estão sentadas numa pilha de caixa", disse a diretora-gerente de banco de investimentos do Barclays, Ana Cabral-Gardner. "O ano de 2012 ainda está por vir."
Noutra frente, o setor de infraestrutura é alvo de cobiça, com ênfase nos segmentos elétrico e de transportes.






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