Alguns governos fazem o possível para manter o crescimento econômico de seus países, sem se importar, muitas vezes, com a agressão ao meio-ambiente. Outros, em contrapartida, falam em progresso sustentável. Mas é possível equilibrar desenvolvimento com sustentabilidade? Para Ricardo Ojima, pesquisador do Núcleo de Estudos Populacionais da Unicamp, uma sociedade sustentável não passa de utopia.
Durante fórum promovido pela Allianz Seguros em São Paulo, Ojima afirmou que as condições climáticas mudam eternamente, com ou sem a interferência do homem. O pesquisador, no entanto, explicou que as catástrofes ganham dimensões cada vez mais elevadas devido ao processo da globalização. “As mudança globais têm efeitos específicos. O tsunami no Japão, por exemplo, gerou reflexos no mercado de todo o planeta, inclusive no Brasil.”
O consumo desenfreado é uma das barreiras apontadas pelo pesquisador. “A previsão no futuro é de que as mulheres tenham, em média, 2,1 filhos. É um número apenas de reposição, o que fará a taxa de natalidade diminuir. Com a evolução da tecnologia, as pessoas passarão a viver mais. E quem mais tem contribuído para a questão do aquecimento global são os países com o menor crescimento populacional. Pessoas velhas consomem e poluem mais do que as jovens.”
Segundo o IBGE, o Brasil se tornou um país amplamente urbano. De acordo com Ojima, isso elevou o risco da possibilidade de um grande desastre devido ao crescimento desordenado. “As dificuldades do sistema político de se adaptar às mudanças demográficas existem. É difícil fazer uma previsão de crescimento, assim como mapear as áreas de risco. Em cerca de 30 anos, o Brasil passou de 30% de população urbana para 80%.”
A coordenadora de geografia do IBGE, Maria Luisa G. Castello Branco, esteve presente no fórum e lembrou a tragédia ocorrida na região serrana do Rio de Janeiro no início deste ano. “Realmente a sustentabilidade é uma utopia. Se uma pessoa acha uma forma confortável de viver, com mais consumo, ela vai querer esse padrão. E isso ocorre em todas as faixas de renda, sem exceção, como aconteceu no Rio. Não é apenas a população de baixa renda que ocupa áreas ilegais.”
Adaptação
Ojima afirma que a questão da sustentabilidade não passa apenas por assuntos ecológicos. “Não se trata de salvar a natureza. O que vai mudar é a nossa forma de viver. Temos de salvar o planeta para que nosso modo de vida, do qual gostaríamos, continue a existir. Na Europa, pessoas mais velhas viajam de avião, que polui bastante. Um jovem já não utiliza tanto. Numa cidade como São Paulo, vamos ter de deixar de utilizar o carro para utilizar ônibus. Demora mais, é verdade, mas este é o caminho: a adaptação.”






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