Imagine ter um projeto na cabeça e andar mais de mil quilômetros para concretizá-lo. Pense agora que esses mesmos mil quilômetros – 1040, mais precisamente – deverão ser percorridos em no máximo 40 dias e que, durante o trajeto, de São Paulo a Brasília, você vai conversar com centenas de brasileiros e descobrir o que eles mais desejam que mude no país. No final das contas, todos esses pedidos se transformarão em uma carta que será entregue à presidente da República.
Em linhas gerais, foi isso que Backer Ribeiro Fernandes, professor do curso de Relações Públicas da FAAP (SP), fez entre novembro e dezembro de 2010. O desfecho dessa história, no entanto, só aconteceu no ultimo dia 14, data em que a carta finalmente foi entregue, não à presidente, mas ao ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho.
Uma ideia
“Tudo surgiu em meados de 2008. Era uma ideia minha e de amigos, colegas, amigos de infância, professores, enfim, de um grupo. Nos nossos encontros, a gente conversava e fazia análises sobre o governo Lula e pensamos em escrever uma carta”, conta o professor.
Motivados, a carta ganhou sua primeira versão, destinada ao então presidente Lula. O grupo, entretanto, julgou que o conteúdo refletia ideias muito particulares das pessoas que a haviam escrito e que não valeria a pena enviá-la. O tempo passou, mas o projeto não foi abandonado.
“Já em 2009 nós retomamos essa discussão e criamos o domínio na internet, que é owww.cartadeumbrasileiro.com.br e lá nós colocamos a questão ‘o que você perguntaria para o presidente Lula se estivesse frente a frente com ele?’. E a coisa foi caminhando. Nós chegamos em 2010 com o site estruturado e a pergunta passou a ser “O que você pediria ao futuro presidente?”, explica Backer.
O projeto começou a tomar forma de fato depois de uma pesquisa encomendada para o Ibope. Mais de 2 mil pessoas de 140 municípios do país responderam à seguinte pergunta: “Se você pudesse se encontrar com o presidente eleito, o que você pediria a ele?”. “A partir desse momento, ganhamos todo o impulso para realizar o projeto”.
Uma viagem
Começaram então a ser realizados os preparativos para uma viagem que prometia ser longa. Backer caminhou de São Paulo a Brasília durante 40 dias para poder chegar a tempo da posse da nova presidente e entregar a ela a carta, que seria escrita com os pedidos coletados ao longo da viagem.
“A gente queria mobilizar, dar visibilidade, causar impacto, fazer tudo isso para que as pessoas conhecessem o site e participassem do projeto”, explica o professor, que é corredor e já estava fisicamente preparado para a empreitada.
Caminhando de 30 a 35 quilômetros por dia, Backer percorreu diversas cidades do Brasil, nas quais eles parava para entrevistar os moradores sempre perguntando o que eles pediriam ao futuro presidente. Ao mesmo tempo, uma assessoria de imprensa fazia contato com as cidades pelas quais o professor passaria, divulgando o projeto.
“A gente ia para uma praça pública, junto com um cinegrafista e fotógrafo, e parávamos as pessoas para perguntar. Entrávamos na cidade e conversávamos com elas”, conta.
“Percebemos que o povo brasileiro é muito simples, não precisa de muito para ser feliz. Tudo o que eles querem é uma renda digna, moradia segura, educação e saúde de qualidade. Eles querem poucas melhorias no seu dia a dia.”
Uma carta
No fim da viagem, Backer não conseguiu se encontrar com a então recém-eleita presidente para entregar a carta, já que sua agenda estava cheia para os primeiros dias após a posse. O professor se encontrou com o ministro Gilberto Carvalho no dia 14 de julho, ocasião na qual entregou a carta.
“O ministro recebeu a gente muito bem, se sensibilizou, é uma pessoa diferente. Ele entendeu a importância do projeto e leu os pedidos que embasaram a carta. A presidência vai responder todos as questões que foram feitas que tiverem nome e endereço”.
Um documentário, um livro, uma exposição
O projeto não se encerrará com a entrega da “Carta”. A equipe está envolvida e trabalhando na produção de um vídeo documentário, um livro e uma exposição fotográfica itinerante, que irão registrar toda a emoção vivida durante os 40 dias de caminhada.
"Estamos aguardando a aprovação da Ancine (Agência Nacional do Cinema) e do Ministério da Cultura. Aprovados e com incentivo fiscal, nós iremos buscar parceiros para produzir tudo", antecipa Backer.






0 comentários:
Postar um comentário
Digite sua mensagem