O dólar fechou em queda ante o real nesta quinta-feira, quebrando uma sequência de quatro altas diante do maior apetite por risco nos mercados internacionais após dados positivos nos Estados Unidos. Mas a cotação disparou no acumulado do ano, registrando a maior variação desde 2008. A moeda americana fechou nesta quinta-feira com baixa de 0,27%, a R$ 1,8685 na venda.Em dezembro, a taxa de câmbio subiu 3,07%, e no acumulado de 2011 saltou 12,15%, maior alta percentual desde a disparada de 31,29% em 2008, ano em que os mercados financeiros foram abalados pela maior crise financeira desde o pós-guerra.O ano contou com importante intervenção do governo no mercado de câmbio, mas com objetivos diferentes. No primeiro semestre, o dólar estava ladeira abaixo, atingindo em 26 de julho o piso do ano a R$ 1,5388 na venda, menor cotação desde 1999, quando o País voltou a adotar o regime de câmbio flutuante. Isso ocorria por causa do forte fluxo de dólares que o País recebia, com investidores estrangeiros em busca de bons rendimentos.Um dia depois, o governo anunciou a cobranca de IOF de 1% sobre posições vendidas líquidas com derivativos de câmbio, com a alíquota podendo ser elevada para até 25%. A MP determinou ainda que o Conselho Monetário Nacional (CMN) passava a ser o responsável pela coordenação da supervisão de todo o mercado de derivativos, algo que cabia à BM&FBovespa.O mercado imediatamente reagiu, reduzindo a exposição vendida em dólar e provocando uma alta na moeda americana. Mas esse movimento ganhou ainda mais força com a acentuada deterioração no cenário internacional, devido ao rebaixamento da nota de crédito soberano dos Estados Unidos pela agência de classificação de risco Standard and Poor's e também ao agravamento da crise de dívida na zona do euro.Com isso, investidores estrangeiros, que chegaram a ficar vendidos em dólar em US$ 24,6 bilhões em julho, passaram a ficar comprados na moeda americana em cerca de US$ 700 milhões no início de outubro. A essa altura, o dólar já estava em R$ 1,70, levando o BC a interromper as compras de moeda estrangeira que vinha fazendo quase que diariamente desde maio de 2009. Em setembro, quando a moeda atingiu R$ 1,90, o BC agiu novamente e anunciou um leilão de swap cambial tradicional, que equivale a uma venda de futura de dólares.Em dezembro, em meio a sinais de encarecimento no crédito externo, a autoridade monetária realizou um leilão de empréstimo de dólar com compromisso de recompra, mas não aceitou propostas. "O BC não vai deixar o dólar superar com folga 1,90 (real). Ele sugeriu que esse é o teto, por isso não acredito numa nova disparada da moeda de forma contínua, apenas em eventos isolados", afirmou o gerente de câmbio da Fair Corretora, Mario Battistel. A estratégia do governo de continuar atuando no mercado de câmbio sempre que necessário será mantida daqui para frente.
Próximo ano
Para o ano de 2012, profissionais do mercado apostam que o mercado de câmbio continuará atrelado aos desdobramentos da crise externa, sobretudo na Europa. "Foi um ano bem agitado (2011), e acho que pelo menos no primeiro trimestre de 2012 vamos ter uma indefinição no câmbio", afirmou o diretor de tesouraria do Banco Prosper, Jorge Knauer, atribuindo a falta de tendência para o dólar às incertezas que devem continuar permeando a crise na zona do euro.
Para Knauer, que trabalha com a perspectiva de um ano "difícil" para os mercados, mas sem ruptura, o dólar pode inclusive ter espaço para cair no segundo semestre, caso as inquietações com a Europa sejam amenizadas e a economia dos Estados Unidos mantenha uma trajetória de recuperação.O economista da CM Capital Markets Mauricio Nakahodo acredita que o espaço para desvalorizações do dólar tende a ser limitado no próximo ano, especialmente devido a perspectivas de menores ingressos de recursos em meio à expectativa de continuada queda da taxa básica de juros (Selic), que torna os ativos brasileiros menos atrativos. A Selic está atualmente em 11,00% e o mercado prevê, com base no relatório Focus, que a taxa possa cair a 9,5% no final de 2012."Além disso, devemos ter menos IED (Investimento Estrangeiro Direto) e o superávit da balança comercial vai ser menor. Tudo isso se traduz em menos fluxo", acrescentou. De acordo com o Focus, o mercado estima que o dólar termine o primeiro trimestre de 2012 em R$ 1,80, com o segundo trimestre a R$ 1,78, o terceiro a R$ 1,75, ficando nesse patamar até o final de dezembro.
Próximo ano
Para o ano de 2012, profissionais do mercado apostam que o mercado de câmbio continuará atrelado aos desdobramentos da crise externa, sobretudo na Europa. "Foi um ano bem agitado (2011), e acho que pelo menos no primeiro trimestre de 2012 vamos ter uma indefinição no câmbio", afirmou o diretor de tesouraria do Banco Prosper, Jorge Knauer, atribuindo a falta de tendência para o dólar às incertezas que devem continuar permeando a crise na zona do euro.
Para Knauer, que trabalha com a perspectiva de um ano "difícil" para os mercados, mas sem ruptura, o dólar pode inclusive ter espaço para cair no segundo semestre, caso as inquietações com a Europa sejam amenizadas e a economia dos Estados Unidos mantenha uma trajetória de recuperação.O economista da CM Capital Markets Mauricio Nakahodo acredita que o espaço para desvalorizações do dólar tende a ser limitado no próximo ano, especialmente devido a perspectivas de menores ingressos de recursos em meio à expectativa de continuada queda da taxa básica de juros (Selic), que torna os ativos brasileiros menos atrativos. A Selic está atualmente em 11,00% e o mercado prevê, com base no relatório Focus, que a taxa possa cair a 9,5% no final de 2012."Além disso, devemos ter menos IED (Investimento Estrangeiro Direto) e o superávit da balança comercial vai ser menor. Tudo isso se traduz em menos fluxo", acrescentou. De acordo com o Focus, o mercado estima que o dólar termine o primeiro trimestre de 2012 em R$ 1,80, com o segundo trimestre a R$ 1,78, o terceiro a R$ 1,75, ficando nesse patamar até o final de dezembro.






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