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terça-feira, dezembro 27, 2011

Meses depois, área de desastre nuclear vira terra de ninguém

A neve do inverno rigoroso em Fukushima estava apenas derretendo quando um terremoto de 9 graus de magnitude, seguido de um tsunami, atingiu a costa do Japão. Tratava-se do desastre natural mais forte a acometer o país em toda sua história.
A parede de água destruiu a maior parte da costa nordeste do Japão em 11 de março de 2010. Em Fukushima, no entanto, a situação tinha um agravante: três reatores nucleares da usina de Daiichi foram danificados pelo grande tremor. Agora, a neve começa a cair novamente, e o governo anunciou que a usina atingiu um certo nível de estabilidade, com cerca de 3 mil funcionários - entre eles engenheiros e técnicos - indo ao local diariamente.
A destruição causada pelo tsunami ainda é visível. Caminhões destroçados, revirados pela água, amontoam-se pelas ruas. Pilhas de escombros podem ser vistas perto das paredes dos reatores nucleares e grandes lagoas de água que, criadas pelo tsunami, ainda estão espalhadas pela região.
Nas cidades-fantasma nos arredores de Fukushima, vinhas invadiram as ruas, vacas e cães sem dono andam sem rumo pelos campos e galinhas mortas apodrecem ao ar livre. As dezenas de milhares de pessoas que viviam nesta região fugiram. Elas, agora, estão em ginásios, salas de aula de escolas elementares, na casa de amigos. Em alguns casos, elas dormem nos carros enquanto viajam de um lugar a outro na busca por alternativas de sobrevivência.
Aqueles que costumavam viver próximo à usina de Fukushima recebiam com frequência folhetos de propaganda ideológica que diziam que a destruição do local poderia acontecer a qualquer momento. Muitas pessoas simplesmente jogavam os folhetos fora como lixo. Para os que prestavam atenção, os avisos diziam que, embora uma catastrófe natural fosse improvável, era possível que as pessoas que moravam perto da usina precisassem um dia evacuar a área. Nunca foi dito, no entanto, que a evacuação poderia durar dias ou até mesmo anos.
Na maior parte dos abrigos, a comida é servida no estilo militar, com horários determinados. O espaço é extremamente limitado, os banheiros são públicos e, normalmente, não possuem luz elétrica. Quando à quantidade de radiação no local, o dado ainda é desconhecido, e o impacto da exposição a pequenas quantidades de radiação na região de Fukushima é motivo de debate na comunidade científica.
Estudos recentes sugerem que o Japão continua a subestimar significativamente a dimensão do desastre, que, sugerem, pode ter implicações sérias para a saúde e segurança da população no futuro. De acordo com um estudo liderado por Andreas Stohl, do Instituto de Pesquisa da Noruega, mais de duas vezes a quantidade de césio-137 radioativo foi enviado para a atmosfera do que o número anunciado pelo governo do Japão. O valor seria 40% do total de radiação do desastre de Chernobyl, na Ucrânia.
O Instituto de Segurança Nuclear e Proteção Radioativa da França, por sua vez, afirmou que foram enviados para o Pacífico mais de 30 vezes a quantidade de césio-137 do que a usina tinha conhecimento até então. A Tokyo Eletric Power Co., que gere a usina, irá remover o combustível do reator que causou os problemas em Fukushima, em um processo que deve começar dentro de 10 anos.
No total, o processo de desativação completa da usina pode levar até 40 anos.

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