Embora o brasileiro Ricardo Costa esteja detido há 27 meses, o prazo normal para julgamento de um acusado no Estado americano do Arizona é de quatro meses. O tempo em que o acusado está preso é seis vezes maior que o determinado pela lei local. A informação foi fornecida pelo chefe do departamento da procuradoria do condado de Yavapai, no Arizona, Dennis M. McGrane. Ele acrescentou, entretanto, que a data inicial pode ser postergada por diferentes razões.
"Normalmente, se resume a atrasos ocasionados em benefício do réu, a fim de lhe preparar para o julgamento". O Tribunal Superior do condado de Yavapai é a corte em que tramita o caso do brasileiro Ricardo Costa, acusado de abusar sexualmente dos próprios filhos.
Ricardo Costa era casado com a americana Angela Denise Martin, com quem teve três filhos. Ele foi preso em dezembro de 2008 durante uma audiência de divórcio. Inicialmente, ele foi acusado de mais de 10 crimes inafiançáveis. As denúncias foram retiradas e ele passou a ser acusado de abuso sexual contínuo, o que segundo a defesa, permitiria a fiança, estipulada pela corte de Yavapai em US$ 75 milhões, a serem pagos apenas em dinheiro.
Para o advogado de Ricardo, Bruce Griffen, o caso tem reunido "todos os problemas legais conhecidos pelo homem", mas ele descartou qualquer motivação racial pelo fato de Ricardo ser brasileiro. "Eu não acredito que essa é a razão pela qual ele teve todos esses problemas. Em alguns casos, ocorre de haver mais problemas do que em outros, e esse é um daqueles casos que possui vários desafios legais. Deixo para outra pessoa decidir qual a razão para tudo isso. Mas eu não acredito, com base no meu julgamento, que sua descendência brasileira é um problema, não acho que essa é a questão", disse ele em entrevista ao Terra, no começo da semana.
Na quinta-feira, a família de Ricardo entrou em contato com o consulado do Brasil em Los Angeles. A chancelaria brasileira afirmou que iria entrar em contato com o advogado dele para avaliar o que medidas poderiam ser tomadas. Ainda segundo a representação brasileira, até ontem, ninguém havia pedido auxílio às autoridades brasileiras.
No inquérito do Departamento de Polícia de Sedona, ao qual o Terra teve acesso, a ex-mulher de Ricardo diz nos depoimentos que os dois se conheceram no Japão, e que ela trabalhava em um Gentleman's Club (clube de cavalheiros em tradução livre), mas nega que recebesse dinheiro por sexo. Ela afirma que trabalhava como modelo na Ásia e Oceania, na época em que se conheceram.
Segundo os relatórios, Ricardo acusa Angela de proibi-lo de ver as crianças e de persegui-lo na cidade de Sedona, onde os dois vivem. Ela respondeu que os filhos pediam para não vê-lo. Como a cidade onde moravam era pequena, era inevitável, segundo ela, que os dois se encontrassem em locais públicos.
Ainda de acordo com o inquérito, dois filhos teriam sido vítimas do assédio, e o terceiro, testemunha. Nos depoimentos, as crianças descrevem episódios de abuso, já na casa do pai, após o divórcio. A ex-mulher fez o teste do polígrafo e respondeu duas perguntas sobre a veracidade das acusações que eram feitas contra o ex-marido. O equipamento apontou que não ouve fraude. Ricardo se recusou a fazer o teste.
O caso segue em tramitação na Justiça americana, e o julgamento deve ocorrer em agosto, afirma Griffen. A defesa do brasileiro vai recorrer ainda da fiança de US$ 75 milhões, o que deve levar mais de um mês.






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