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terça-feira, novembro 01, 2011

Após tumulto, estudantes pedem permanência da polícia na USP

Após o tumulto entre estudantes e policiais militares na Universidade de São Paulo (USP), na zona oeste da capital paulista, na semana passada, cerca de 200 estudantes de pelo menos três faculdades protestaram na tarde desta terça-feira pela permanência da Polícia Militar no campus. Na última quinta-feira, a corporação prendeu três estudantes por uso de maconha e foi acusada de ter cometido excesso na ação. Desde então, parte dos alunos tem pedido a saída dos policiais do local.
O protesto ocorreu em frente à praça do Relógio, próximo a uma base da Guarda Universitária. Com cartazes e carro de som, os manifestantes se posicionaram contra o grupo considerado por eles "radical" e que ocupa o prédio da administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) contra um suposto excesso da PM que, na última quinta-feira, prendeu três estudantes por uso de maconha. Na ocasião, os policiais usaram gás lacrimogêneo e estudantes ficaram feridos.
Uma das organizadoras do protesto de hoje, a estudante de Letras Marina Grilli, 22 anos, afirmou que a presença da polícia diminuiu o índice de crimes no campus, o que justificaria sua permanência no local. "Diminuiu sim a criminalidade no campus, então não faz sentido nenhum tirar a PM daqui. Parece que eles (o grupo que se posiciona contra a PM) têm voz aqui, mas eles não são maioria", disse a jovem.
Henrique Ianelli Gonçalves Luiz, 19 anos, aluno do curso de Engenharia Elétrica da Escola Politécnica, criticou os estudantes que ocupam o prédio da FFLCH. "Desde que entrei (na faculdade) só vejo atitudes abusivas desse grupo. A PM é o meio par garantir a segurança no campus", disse ele.
Um grupo de guardas universitários acompanhou de longe a manifestação, que terminou por volta das 18h45 sem incidentes. Da praça do Relógio, os alunos fizeram uma caminhada em direção ao estacionamento da Faculdade de Economia e Administração (FEA), onde o aluno Felipe Ramos Paiva foi assassinado em um tentativa de assalto em 18 de maio.
PM não mudará atuação
O tenente coronel José Luiz Souza, comandante do 16º Batalhão da Polícia Militar, responsável pelo policiamento na região do Butantã, em São Paulo, negou que houve excesso na atuação da polícia no campus da universidade. Segundo ele, apesar do protesto de estudantes, a PM manterá o mesmo esquema de policiamento.
"Não é um excesso. A abordagem policial é um dos recursos estratégicos que a instituição em todo o Estado se utiliza para reprimir ilícitos em geral. Não há abuso. É uma estratégia que a Polícia Militar se utiliza há muitos e que é garantida pelo poder de polícia, que é constitucional. A ação da PM continua da mesma forma, intensificação do patrulhamento, a identificação de delitos e a garantia da integridade física e da dignidade de todos que se utilizam do interior do campus da USP", afirmou.
O tenente coronel afirmou ainda que o policiamento na USP é diferenciado, porém, segue a mesma estratégia de outras regiões da cidade. "O trabalho da Polícia Militar é de prevenção de delitos como acontece em todo o Estado. A diferença que o que a gente tem aqui na Universidade de São Paulo são as características da própria universidade. Ou seja, temos uma população diferenciada, temos vias diferenciadas, temos características diferenciadas, como acontece também de região para região da cidade. Aqui, a diferença simplesmente está voltada ao público da universidade, desde funcionários, professores, e as características físicas do local".
Quanto aos alunos acampados no prédio da FFLCH, ele disse que não caberá intervenção da PM sem a solicitação da reitoria. "A orientação dada pelo Comando Geral da instituição é que essa questão seja resolvida pela reitoria da USP. Nós estamos aguardando uma posição da reitoria para que então a gente possa atuar. Isso se houver necessidade de atuar. Acredito que a reitoria consiga fazer com que isso acabe a bom grado", afirmou o comandante.


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