São Paulo – A arrancada da bolsa neste início de ano deixou os investidores mais ressabiados com o pé atrás. Afinal, com tantos riscos que ainda pairam sobre a economia mundial, não seria a hora de aproveitar a recuperação para realizar o lucro? Ao menos para Antenor Gomes Fernandes, sócio da gestora de recursos STK Capital, ainda que seja impossível prever para que lado vai o mercado no curto prazo, há bons motivos para que as ações continuem a se valorizar nos próximos anos.
Fundada no final de 2010, a STK Capital administra 400 milhões de reais investidos no mercado acionário e tem entre seus sócios Ronaldo Cézar Coelho (ex-dono do banco Multiplic) e Eleazar de Carvalho (ex-presidente do BNDES). Nos últimos 15 meses, o fundo de ações da gestora teve valorização de 22% enquanto o Ibovespa recua 6%. A seguir, Fernandes explica as razões para estar otimista com a bolsa no longo prazo e as estratégias por trás das principais posições do fundo:
1 – A Europa melhorou
O panorama externo melhorou muito devido à ação do Banco Central Europeu. A bolsa vinha muito mal no ano passado porque as instituições financeiras europeias estavam carregadas de títulos públicos de países cuja capacidade de pagamento das próprias dívidas estava sendo bem questionada pelo mercado. A partir do momento em que o BCE colocou à disposição dos bancos europeus linhas de crédito de bilhões de euros com juros muito baixos, houve uma irrigação de liquidez no sistema financeiro que foi suficiente para resgatar a confiança dos investidores. Hoje o balanço do BCE é parecido com o do Federal Reserve em termos de empréstimos ao sistema financeiro. A percepção de que os bancos europeus não corriam mais tantos riscos de falta de liquidez fez com que o mercado passasse a olhar para ativos que estavam sendo evitados. Daí começou o rali das bolsas. A Europa ainda deve ser vista com um possível risco para os investidores? É lógico que sim. Mas a situação melhorou consideravelmente nos últimos tempos.
2 – Os juros estão caindo rapidamente no Brasil
Após a queda de 0,75 ponto percentual na taxa de juros nesta quarta-feira, o mercado passou a acreditar que a Selic será bem baixa nos próximos meses. A curva de juros mostra que já há muita gente apostando que a taxa possa cair para menos de 9% ao ano. Isso é ótimo para o Brasil porque viabiliza uma série de investimentos que não sairiam do papel se o capital custasse mais caro. Muitos negócios deixaram de ser criados no Brasil nas últimas décadas porque os juros eram muito altos. É lógico que a queda acelerada dos juros também pode em algum momento elevar a inflação. Mas acredito que esse é um risco que só deve começar a se fazer notar na prática no segundo semestre. Os resultados mais recentes divulgados pela indústria foram bastante fracos. Ainda estamos no ponto em que o gráfico da economia não começou a embicar para cima. Vai levar algum tempo, portanto, para que a retomada gere pressão sobre os preços.
3 – A renda deve continuar se expandindo
Nos últimos cinco anos, cerca de 25 milhões de pessoas ascenderam socialmente no Brasil e ingressaram na classe média. A economia brasileira continua muito bem, com baixo desemprego e renda em alta. Então é possível que, nos próximos cinco anos, mais 25 milhões de pessoas passem a ter renda suficiente para consumir.






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